segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre orgulho, vida pessoal, textos e mimos...

   Sempre hesitei em escrever sobre minha vida pessoal. Sempre fui categórico ao dizer “não” em fazer de meu blog um diário, apesar de todos os textos terem um quê de Vanderley. Sempre falhei. Todos os textos por mais que fossem lúdicos, ou mesmo obra e fruto de minha criatividade, sempre tiveram influência do que sou e do que vivi. Acho que a negativa era fruto do que eu sempre disse ser o pior defeito: o orgulho. Falava com peito inflado: esse mal não me pega; orgulho não faz parte do meu eu!

   Esta semana, porém, vi que esse defeito “era” presente em mim. Desculpa, mas, vou descrever fatos de minha vida. Isso lhe interessa? Se sim, continue lendo. Se não, obrigado por ler até aqui.

   Voltando aos fatos: quando me mudei para Uberlândia e ganhei minha liberdade financeira, me vi com tanta prepotência, que não percebi que a mesma nada mais era que orgulho disfarçado. Tinha dinheiro para me manter: comprava doo básico aos pequenos supérfluos, mas ainda assim não tinha o suficiente para adquirir os grandes luxos e ostentações.
 
   Com a liberdade financeira, me tornei um ser esnobe. Digo isso com base na recente consciência adquirida: não aceitava presente e doações dos entes: benfeitores e patrocinadores de minha vida. Confuso, eu sei. Explico: semana passada fui ver minha mãe, dita por mim como Dona-patroa (acho que alusão ao sentimento de ser bancado por ela, como se eu fosse seu empregado: erro de minha parte, agora eu sei! ). Chegando lá era notório que tudo foi preparado para mim: doces, pães, quitandas diversas, café, etc. Meu padrasto mesmo disse “sua mãe, desde quando você disse que viria, não sente mais nenhuma dor, está numa animação que só”.

   Uma delicia o café da manha no ambiente familiar e acolhedor da fazenda. Almoço do mesmo modo: uma fartura. Na hora de ir embora, minha mãe, em sua simplicidade que eu amo, foi fazendo pequenos embrulhos com mimos: carne, sal de tempero, doces, mais carne, cebola de folha picada, couve picada, cará, queijo, requeijão, etc. Nossa família e amigos até intitulamos a fazenda como um restaurante, o “Coma e leve”. Uma alusão a: aqui você vem, não paga, come e ainda leva um pouco para casa. Eu confesso, a comida estava uma delícia, afinal tudo foi feito por mamãe. Tudo com carinho.

   Há um tempo, naquele da independência financeira, eu recusaria todos os embrulhos, deixando parte do slogan do restaurante para trás. Como se quisesse dizer: não preciso de você. Mas hoje não: aceitei tudo. Não que eu precisasse, mas aquilo faria mais bem a ela que a mim, então porque recusar? Aceitei, claro. E vi a alegria de minha mãe com minha presença e com o aceite de minha parte. Eram tantas sacolas que mal dava conta de levar.

   Hoje, com este texto, vejo que dei mais um passo para deixar o orgulho para lá, pois além de aceitar os agrados também tenho me permitido a vir aqui falar da minha vida pessoal.


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Titulo baseado em textos dos blogs:  "Instante Impreciso" - blog extinto do Taffarel, que agora publica somente nas sextas no Guaraná com Canudinho - e  "Dona da banca".

6 comentários:

Brant disse...

Haha, não sei se meu i² se extinguiu por completo. Acho que ele está apenas dando um tempo, ou um grande tempo, sem tempo certo, mas talvez, em dado tempo, retorne.

Gosto bem mais de textos ao descaso, sem grandes pretensões, tipo este. Beijo.

Vanderley José Pereira disse...

Está mais impreciso que nunca? Tomara que volte eu li todos os textos e fiquei sedento por mais. Obrigado pelo elogio, vindo de vc, tem peso 2. te amo.

Rosana Tibúrcio disse...

Também tive a mesma sensação do Taffa, gostei do texto pessoal. Comecei a ler pelo título, prossegui a leitura, por curiosidade (como assim, pessoa meio que me manda parar)e no final me vi lá.

Fiquei num orgulho só!!

Taffa passou bem com tanto embrulho, hein??? hehe
beijos

Vanderley José Pereira disse...

Nossa Rosana do meu S2 fico feliz por ter gostado. Sua opinião tem muto valor para mim. E com certeza ainda estamos passando bem com a quantidade de embrulhos. A geladeira mal coube.

Saudades

Helô disse...

Adorei o texto. Deu pra sentir sua alegria ao proporcionar alegria a ela. Mãe é assim mesmo. Eu sou, Rosanita é, queremos sempre o melhor pra vocês. E, às vezes o melhor são esses mimos que, aceitos, nos fazem tão felizes.

Vanderley José Pereira disse...

é bem isso. A gente se sente feliz de fazer o outro feliz.