terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A vaca e a mana

Lá nas bandas do Lageado ocorreu, 
essa história que vou contar.
Peço licença a moça bonita, 
pois seu tempo vou gastar. 
Eu era novo e sapeca
Quase uma criança a ponto de ninar.

Vindo da escola com minha irmã, 
um monstro na estrada estava. 
Imóvel e solitário,
o bicho não se tocava.
Com medo fiquei
e minha irmã não notava.

Tive de mostrar força. 
Eu era um homem para ela.
Queria ser o herói
para aquela moça singela.
Força eu tive,
mas o grito estava na goela.

Pinta Rocha era o nome do bicho
que na estrada estava.
Vaca feroz.
Ninguém a beirava.
Vaca bonita e vistosa;
também muito brava.

Eu e mana
a cerca já tinha pulado,
com medo e receio
do bicho malvado.
Eu e a mana de cá, 
e a vaca do outro lado.

A vaca andou e foi para a ponte
e eu passei pelo arame farpado.
Machuquei e me feri. 
Eita animal danado!
Minha irmã ali ficou parada,
com ela fiquei muito preocupado.

Ela tomou coragem para atravessar
e jogou seu bornal
que na água caiu,
molhando todo o material.
Com raiva ela ficou
Possuindo um olhar de animal.

No córrego me joguei
queria ser seu salvador,
esquecendo os machucados
que me causavam dor
Maninha é mais importante,
por ela tenho amor.

Com raiva ela estava
de ter molhado o bornal
e na estrada foi passar
esquecendo o animal.
Andou em direção ao bicho
com uma raiva anormal.

Pinta Rocha deu um berro;
o bicho nervoso ficou,
mas maninha estava brava 
e com uma vara a tocou.
Ela deu um bofetão,
na vaca que a enfrentou.

Zezinho do Lageado

Imagem retirada do blog Constelação de ideia, porém adaptada.


Literatura de cordel originalmente publicado aqui.

5 comentários:

Rosana Tibúrcio disse...

heheheheh adorei.
quase uma Marina nos versinhos...rs

Vanderley José Pereira disse...

Acho que sou pior. Mas tomei coragem e fiz. Sempre quis fazer uma historia bem ao estilo de literatura de cordel, pois bem, fiz! Ficou cômica, mas é tudo verdade!

Brant disse...

Achei muito fofinha.

Darlan disse...

Singelo e muito bonito, são assim as coisas mais encantadoras.

Vanderley José Pereira disse...

obrigado Darlan... Eu não sou de escrever poesia, mas neste dia li algumas literaturas de cordel e me deu vontade. Acho que me saio melhor nas crônicas