Com vinte e sete anos, digo e afirmo: sou um ser em construção. Meu eu foi lapidado. Nada do que vivi, reflete exatamente o que sou, porém cada momento, por mais singelo que tenha vivido, tem influência neste ser que aqui se encontra.
Em mim se encontram vários Vanderley, é como eu digo “sou incomum, do tipo mais comum”.
Em mim se encontram vários Vanderley, é como eu digo “sou incomum, do tipo mais comum”.
Tive momentos de introspecção (Dedey). Novo e inocente - inocência apenas para algumas coisas, é fato! - ficava enclausurado numa prisão sem muros, meu mundo se restringia a casa e escola. Minha melhor amiga: minha mãe. Minha diversão: TV e mais nada. Ali, eu me perdia em informações e besteiras avulsas que me levavam além do meu eu. Não queria pensar em mim. Isso me causava dor; não gostava do que eu era. Era mais fácil deixar as horas passarem.
Tive momentos de descoberta (Pão-de-queijo). Quem nunca? O corpo muda, a cabeça muda, os lugares se mostram, as oportunidades acontecem e você se entrega. A inconsequência define a adolescência. Ainda que me privei de muitas aventuras, não posso reclamar. Nesta fase me vi mais isolado, pois testei os limites. Dentre todos, destaco o limite da paciência; houve momentos em que nem meus pais queriam minha companhia.
Tive momentos de independência (Vandy). Independência para errar, sem ser recriminado, e para acertar, sem ser elogiado. Estranho como às vezes tudo que você quer é sua companhia, sem ela você não cresce. Essa fase foi marcada pelo autoconhecer, autocriticar, autopunir, autoamar. Auto-tudo. Enfim, nessa fase foi eu por mim mesmo.
Cada fase teve uma particularidade, intrínseca a minha personalidade de hoje. Todavia não sinto saudade do Dedey, do Pão-de-queijo, do Vandy ou outro “Vanderley”¹. Mas sim, sinto saudades dos momentos que passaram e me fizeram trilhar caminhos que me acarretaram a ser esse “Vanderley” de hoje. “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
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Veja quem são os outros Vanderleys, aqui.
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