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| Casinha onde eu passei bom momento, casinha essa que hoje já não existe mais (deu lugar a uma casa mais moderna), meu querido lar era conhecido como Casa Velha. |
Um fim de semana na fazenda nos faz pensar no valor das pequenas coisas do dia-a-dia. A vida simples do campo nos leva além e tem muito a ensinar. Sei bem do que digo: Cresci entre vacas e galinhas, andava por pastos e pulava de galho em galho. Bons tempos!
Acordava com o cacarejar do galo: um despertador preciso. Basta o sol raiar para ele inflar o peito e chamar todos. Quando eu digo chamar, é chamar mesmo, tinha a impressão - na inocência de minha criancice - que o galo me chamava para tomar o café da manhã. Como não podia ter essa impressão? Ele chamava, eu levantava, e lá estava, o café coado, e o pão de queijo quentinho, prontinho. Eu viajava nesse cheirinho bom de carinho, amor e afeto. Fartura era sinônimo de felicidade. Acho que era esse o modo de mamãe dizer: te amo! Um te amo saboroso.
Hoje, numa vida que julgava que era a sonhada dou valor nas pequenas coisas daquela época. Hoje ao reunir com amigos para tomar um café – expresso –, não sinto mais o sabor do tempero da cozinheira, tão pouco o cheiro de aconchego vindo do fogão, hoje nem fogão tem, quiçá um fogão à lenha – movido pelas chamas do afeto.
No campo, as pessoas tinham orgulho de convidar as outras para adentrar em sua casa. Recusar, jamais: era desfeita, um insulto à boa vizinhança. Se bem que no campo, o termo vizinhança é pouco usado; todos são amigos, parentes e conhecidos. Se não são, é questão de tempo para serem. Todos são íntimos, numa intimidade conquistada a duras penas. É difícil conquistar a confiança do homem da roça. Para conquistar você tem que ter habilidade. Se você acreditou nisso, desculpa, mas você não conhece as belezas da ingenuidade interiorana. Para virar amigo desse povo matuto, basta abrir sorriso e dizer: bom dia! No minuto a seguir você já é de casa, e, se você for bem visto, pode até, ganhar um apelido.
Era lindo ver as pessoas se tratando por apelidos, uma espécie de código que apenas os pertencentes ao local conhecem. João Velho, Zé da Chica, Alaor do Abacaxi, Noratim, Quinzote, Maria da farinha, Maria do Briante, são só alguns dos codinomes. Mas eles, também, atendiam por João Venâncio Firmino: que ficou sendo João Velho por ter outros dois irmãos também com o nome de João; José Eurípedes da Silva, vulgo Zé da Chica, pois sua mãe Dona Francisca era uma importante benzedeira da região... e por ai vai. Não sei! Mas acho que esse tipo de nomeação dada era para todos serem iguais: patrão, empregado, vendeiro, vaqueiro, em suma todos.
Que diferença gritante com a vida corrida de hoje. Todos exigem ser tratado pelo nome, de preferência o nome inteiro e, às vezes, exigem mais, exigem um título vindo antes do nome: Doutor, Senhor. Nesta vida corrida, não é só a forma de tratamento que mudou; às vezes a indiferença é tamanha que vemos pessoas próximas, não em parentesco, mas quanto a distancia – vizinhos –, marcando de se encontrar no próximo mês e por email, para tomar um café (expresso), esse, sem aquele cheirinho bom, dos velhos tempos, do café feito por mamãe, do café à lenha. Isso tudo me faz perguntar: é essa a vida que escolhi para mim?
¹ Originalmente postado no Guaraná com Canudinho, numa Quinta-feira (22 de Novembro de 2012).
Obs: texto feito em homenagem a Minha Mãezinha, Cezária Duarte Cotrim (que tem um café tão bom quanto ao da boUUUa), carinhosamente chamada por mim de Dona Patroa, e ao meu padrasto, Honorato Gomes de Campos (simplicidade, humanidade e carinho em pessoa), também conhecido como Padrinho. Aqui, neste momento, homenageio a ambos e ao meu outros Pais: Claricinda Cotrim Pereira, que chamo de Minha Tia, e José Pereira Lourenço, meu Pai. Além é claro do Zilair Duarte Cotrim, chamado de Tio Pingo.
Obs[2]: Ataque de saudosismo motivado pelo belo texto (Então...) que minha querida amiga boUUUa postou. Amor de mãe é, sem igual, simplesmente sublime. Fica aqui o meu muito obrigado aos meus cinco pais.
"Uma linda quinta-feira para todos vocês, minhas gentes, pois nas quintas há sempre algo diferente no ar e hoje há: surpresaaaaa, cheirinho de café, fazenda e de lembranças olfativas-amorosas-felizes... com gostinho de rapa de limão!!! - Rosana, a boUUUa!!!!"
22 de Novembro de 2012
Muito obrigado pela confiança, e sinta-se homenageada também, boUUUa!

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