Quando me casei, apesar de ser algo que me propus a dar certo, pensei “como será a vida a dois?”, várias incertezas passaram em minha cabeça. Nenhuma relativa ao meu amor ou, tampouco, a reciprocidade de tal sentimento. A dúvida era sobre como seria um casamento GAY. Chego a levantar a hipótese aqui que, sim, eu era um homofóbico homossexual, ou um auto-homofóbico. Vou divagar aqui e agora: na matemática a expressão que designaria a auto-homofobia seria: Homo (fóbica + sexualidade) , sei que de nada tem relação esse apenso, mas pela expressão, creio eu que é possível ver o que se passava na minha cabeça. Eu tinha medo. Não medo do “gostar de homem”, mas, sim, medo de “ser diferente do que é dito normal” e junto a isso havia minha sexualidade que, assim como meu caráter, era intrínseca a mim. (Eu não escolhi ser gay; não escolhi ser branco; não escolhi ser honesto; não escolhi ser filho da minha mãe; não escolhi nascer no Brasil, etc.) Tudo isso envolvido pelo semelhante, pelo homo. Para findar abro mais um parêntese: já viu como a sexualidade e o medo sempre andam juntos? Comigo não poderia ser diferente. Fechando todos os parênteses e voltando...
Sinceramente, quando eu pensava em um casamento gay, não sabia o que pensar. Não tinha referências. Sempre ouvi dizer que gays são meio promíscuos, e isso era quase uma verdade absoluta para mim. Incluo-me nisso. Sempre ouvi dizer que gays são inconsequentes e, acredite, eu aceitava isso e tinha como verdade. Incluo-me nisso também. Apesar de me incluir eu não queria ser assim, mas achava que era normal e involuntário. Mesmo não querendo ser, eu era. Talvez por pressão – se bem que acho cômodo dar essa desculpa –, mas a verdade é que eu estava em inércia.
O tempo passou e eu fui criando minhas próprias referencias de casamento gay. Sendo elas derivadas do meu próprio casamento. Vamos ao mercado. Mudamos nossas rotinas, adequando a nossa nova condição. Antes festa, agora um jantar com amigos. Fazemos planos a dois, sempre pensando em um crescimento comum. Um se anula pelo outro. Um relacionamento sem vaidades. Descobri tardiamente, mas ainda a tempo, que casamento é casamento, independente do tipo. E sabe o que mais gostei de saber? Eu sou normal, meu casamento é normal. Meu casamento é aquela típica vida que os solteiros e os “reis dos camarotes” designam de chata, monótona; mais uma dentre tantas. Enfim, um casamento feliz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário